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segunda-feira, 24 de março de 2014

Só Porque te Vi!


Tudo estava suave, 
mesmo
entre os espinhos 
mais espinhudos,
pois nem sempre 
há painas
onde se possa 
descansar esta vida 
que sempre se agita.

Você bem que queria 
isso,
ou seja: esse conforto 
da paixão
onde braços sustentam 
volúpias
para o ensandecimento 
amoroso
que nunca entre nós é 
terminal.

Agora tenho de ler você 
um pouco,
já que tudo me parece 
a um romance
em que teus personagens 
estão à caça,
mesmo tendo se esquecido 
das espadas
que ainda ontem cruzavam 
teus ares 
e teu formoso peito.

Querer..querer...onde 
mais querer ?
Se tu me dás montanhas 
de carinhos
e braços apertados onde 
sinto prazeres,
quando teu corpo me 
enche de chamas,
essas vorazes...
que me lambem inteiro.

Ah.. inefável mulher...
que me inspira
e que corre em minhas 
veias... como versos
que pensados para ti...
logo todos se enredam !

Ah...deliciosa tarde...
só porque te vi.
E te senti.
Bem aqui.
Na nossa bela canção !

Cássio Seagull 

Jardim de Sonhos!



Cercada pelo 
maravilhar-se 
das flores,
seus sentimentos 
floriam
em puros versos,
enquanto num 
ermo distante
ouvia-se o canto 
do Sabiá.

Era uma tarde feita 
de beleza
onde teus olhos, 
como espelhos,
refletiam em mim 
áureos momentos,
cuja impressão
fazia-me sentir-te
como num retrato 
pintado por Monet.

Então, indeciso, 
o céu chuviscou
e molhou nossos 
cabelos ao vento
para lembrarmos 
de nossa existência,
pois há certos 
instantes em que 
acordamos para o 
sentir da natureza
que aos poucos 
vamos esquecendo.

Ah...linda...hoje nosso 
amor é como uma flor 
que espera o passar 
de um vento suave
para deixar cair suas
pequenas sementes...
não muito longe...
não muito longe...
para poder criar
um verdadeiro jardim 
de sonhos !

Como os nossos assim...

Cássio Seagull

quinta-feira, 20 de março de 2014

Você nem Imagina o quanto, te quero!!!




Apenas entardece,
mas não anoitece 
nesse
teu cândido olhar 
às vezes guloso, 
e outras, não.

E então te percebo como
um timão,
onde minhas mãos
te buscam em tua 
inocente maneira de ser.

Abro meus olhos e você 
aqui está
como uma saudade 
refletida
num cristal colorido, 
cheio de nuances.

E se não te vejo...nem 
sei o porquê.
Mas meu coração 
excita-se e te deseja
mesmo que 
em ti não sobre aquela
paixão por mim 
sentida, 
e toda efervescente.

Mas sigo...até com 
medo de te olhar,
pois teu fascínio é como 
um presente
que tenho de abrir com 
cuidado para não 
amarrotar.

Por que muitas vezes 
não se pode ter
aquilo que se quer ?

Chega então um 
alvoroçar
dentro de mim !
E tenho de me calar...
e de esconder-me de ti
no véu das incertezas.

Só porque ouso te amar 
sem você 
sequer...me imaginar !

Cássio Seagull

Vem Amor....Vamos Voar!!


As invencionices todas 
haviam
derrubado o que em mim 
eram crenças,
pois na vida basta um 
passo para o abismo.

Assim...preso a este caos 
existencial
movo meu coração 
de novo até as estrelas
que ainda não se 
apagaram da memória,
pois seguem impassíveis 
no mesmo infinito...
esse amplo espaço de 
desconhecidas cavernas.

Mas ante tudo isso,
mesmo na balbúrdia
de uma cidade assíncrona, 
aqui te sinto,
pois segues sendo minha 
estrela.

Espere...espere...
não há saudade que possa 
nos separar,
mas apenas nos juntar 
ainda mais,
pois minhas intenções 
te querem 
como a roupa que visto 
para ti.

Ah...a saudade ainda 
dará um salto
sobre nossas vontades...
essas que pulsam
e que sabemos atiçar
com a força do amar.

E de novo este mar....
este mar...
e nós nas profundezas 
do amar...
pensando o que mais 
dar, pois os sorrisos 
desmancham-se
e dos lábios vertem
todas as nossas ânsias !

Ah...lábios que se 
entregam...
que se esfregam...
que tremem...
e que tanto....tanto 
se querem...
nesta noite de estrelas
e só de nós dois !

Vem amor...vamos 
voar !!!
Ai...querido...eu já 
estou !

Cássio Seagull

Ahhhhh! Que olhinhos gulosos!!!



Vinham chegando 
os pássaros
e ela abraçada a uma 
árvore
brindava com seu olhar 
a tarde,
pois nela habitava o dom 
do amor.

Então era o momento 
crucial
para olhá-la com um 
novo olhar,
como se a vida se vestisse 
de cores e meu 
coração fosse também 
o dela.

Sentia-me agora 
passeando com minhas 
mãos presas nas suas 
e que me apertavam 
pulsando 
paixões mescladas com 
intensa vontade de amar.

Ali mesmo era chegada 
a hora esperada
onde desejos se 
combinavam e tudo podia
acontecer
quase que inevitavelmente.

Um beijo veio...depois 
outro.
Um abraço veio...depois 
outro.
Seus olhinhos estavam 
sapecas,
e no seu corpo eu todo 
me perdi.

Hum....
Depois...enlouqueci
e nunca mais a esqueci.
Ah...que olhinhos gulosos !!!
Os dela...

Cássio Seagull

terça-feira, 4 de março de 2014

Depois do Carnaval Cecília Meireles



Terminado o Carnaval, eis que nos encontramos com os seus melancólicos despojos: pelas ruas desertas, os pavilhões, arquibancadas e passarelas são uns tristes esqueletos de madeira; oscilam no ar farrapos de ornamentos sem sentido, magros, amarelos e encarnados, batidos pelo vento, enrodilhados em suas cordas; torres coloridas, como desmesurados brinquedos, sustentam-se de pé, intrusas, anômalas, entre as árvores e os postes. Acabou-se o artifício, desmanchou-se a mágica, volta-se à realidade.

À chamada realidade. Pois, por detrás disto que aparentamos ser, leva cada um de nós a preocupação de um desejo oculto, de uma vocação ou de um capricho que apenas o Carnaval permite que se manifestem com toda a sua força, por um ano inteiro contida.

Somos um povo muito variado e mesmo contraditório: o que para alguns parecerá defeito é, para outros, encanto. Quem diria que tantas pessoas bem comportadas, e aparentemente elegantes e finas, alimentam, durante trezentos dias do ano, o modesto sonho de serem ursos, macacos, onças, gatos e outros bichos? Quem diria que há tantas vocações para índios e escravas gregas, neste país de letrados e de liberdade?

Por outro lado, neste chamado país subdesenvolvido, quem poderia imaginar que há tantos reis e imperadores, princesas das Mil e Uma Noites, soberanos fantásticos, banhados em esplendores que, se não são propriamente das minas de Golconda, resultam, afinal, mais caros: pois se as gemas verdadeiras têm valor por toda a vida, estas, de preço não desprezível, se destinam a durar somente algumas horas.

Neste país tão avançado e liberal — segundo dizem — há milhares de corações imperiais, milhares de sonhos profundamente comprimidos mas que explodem, no Carnaval, com suas anquinhas e casacas, cartolas e coroas, mantos roçagantes (espanejemos o adjetivo), cetros, luvas e outros acessórios.

Aliás, em matéria de reinados, vamos do Rei do Chumbo ao da Voz, passando pelo dos Cabritos e dos Parafusos: como se pode ver no catálogo telefônico. Temos impérios vários, príncipes, imperatrizes, princesas, em etiquetas de roupa e em rótulos de bebidas. É o nosso sonho de grandeza, a nossa compensação, a valorização que damos aos nossos próprios méritos...

Mas, agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas, de tantos olhos faraônicos, de tantas coroas superpostas, de tantas plumas, leques, sombrinhas...?

"Ved de quán poco valor
Son las cosas tras que andamos 
Y corremos..."

dizia Jorge Manrique. E no século XV! E falando de coisas de verdade! Mas os homens gostam da ilusão. E já vão preparar o próximo Carnaval...


Texto extraído do livro "Quatro Vozes", Editora Record - Rio de Janeiro, 1998, pág. 93.

Saiba tudo sobre a vida e a obra de Cecília Meireles visitando "Biografias".

fonte: http://www.releituras.com

segunda-feira, 3 de março de 2014

Então Vem...Abrace-me Forte!



Há em você um
sorriso surreal
que chega bailando
nos lábios
ainda molhados de
teu desejo.

Apronto então meus
versos
pois tenho de te buscar
lá longe
onde teu encantamento
me cobre.

E você vem feliz...
com teu amor
e certa de que nada
é divisível
nem por dois, nem
por três,
mas só por zero,
onde apenas
o mesmo inteiro
possa resultar.

Você ri de mim...
mas eu deixo...
Você zomba de mim...
mas eu deixo....
Você se enfia em mim...
e eu deixo.

Sou teu amor...e você
sabe disso...
Você é meu amor...
e você sabe disso.

Então vem....abrace-me
forte !
Não vè que eu sou teu ?

Cássio Seagull